Sinopse:
“Eles moravam juntos, Virgílio e o bicho. A casa – meu Deus! – era enorme: sete salas, uma escadaria em caracol, seis dormitórios, cinco banheiros, um porão bolorento, três garagens e a adega subterrânea, com suas paredes cobertas de limo negro, de onde provinha um nauseante bafio de necrotério...”
(trecho de ‘O Bicho de Virgílio’)
“O primeiro fagotista, indiferente à ciranda de comentários maldosos que envolvia seu nome, mantinha o posto de segundo amante da tocadora de requinta, Isabella Assorti, uma sensual napolitana de ancas opulentas. O primeiro amante de Isabella era o principal regente da Sinfônica de Asnorphia, Vaslav Morozov que, por sua vez, também mantinha ligações carnais com Anna Oleneva, a harpista, e com o jovem pianista malaio, o lânguido Abdullah Noor.”
(trecho de ‘Uma Vingança em Si Menor’)
“ Aos catorze anos, encolhido num desvão do muro, ele escutou o pai dizer ao vizinho: - o Miro é o meu maior desgosto, Pedroca! Meu filho é um vagabundo, tem tudo para ser um grandessíssimo merda! As palavras perfuraram a cabeça do garoto e ficaram escondidas, pulsando, na parte mais funda e perigosa daquela mente.”
(trecho de ‘Pizzaria do Miro, Boa-noite!’)
“No teto do quarto do filho, Orestes mandou pintar um surpreendente Cristo agonizante, banhado em luz solar e crucificado em rosas renoirianas. As rosas pareciam tão plenas de luz, tão reais, tão desabrochadas e frágeis, que as visitas olhavam disfarçadamente para o chão, buscando encontrar algumas pétalas tombadas.”
(trecho de ‘O Cristo das Rosas’)
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